quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PROBIOTICOS: o que são e seus efeitos no organismo!


A Organização Mundial de Saúde define probióticos como “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro”

A influência benéfica dos probióticos sobre a flora intestinal humana inclui factores como efeitos antagónicos, competição e efeitos imunológicos, resultando em um aumento da resistência contra patogénicos. Assim, a utilização de culturas bacterianas probióticas estimula a multiplicação de bactérias benéficas, em detrimento à proliferação de bactérias potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro (Puupponen-Pimiä et al., 2002).

Actualmente, com o aumento da esperança média de vida, vemo-nos com necessidades acrescidas nomeadamente nutricionais para prevenção e combate à doença. Daí a importância de uma adaptação da nutrição clássica a estes novos desafios. Assim, numa nutrição óptima devemos ter em conta os benefícios dos chamados “alimentos funcionais”, dos quais se destacam também os pré e probióticos.

São considerados alimentos funcionais aqueles que, além de fornecerem a nutrição básica, promovem a saúde. Esses alimentos possuem potencial para promover a saúde através de mecanismos não previstos pela nutrição convencional, devendo ser salientado que esse efeito restringe-se à promoção da saúde e não à cura de doenças (Sanders, 1998).

Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que afectam beneficamente o hospedeiro, por estimularem selectivamente a proliferação ou actividade de populações de bactérias desejáveis no cólon. Adicionalmente, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, garantindo benefícios adicionais à saúde do hospedeiro. Esses componentes actuam mais frequentemente no intestino grosso, embora eles possam ter também algum impacto sobre os microrganismos do intestino delgado (Gibson, Roberfroid, 1995; Roberfroid, 2001; Gilliland, 2001; Mattila-Sandholm et al., 2002).

Os benefícios à saúde do hospedeiro atribuídos à ingestão de culturas probióticas que mais se destacam são:  controle da flora intestinal; estabilização da mesma após o uso de antibióticos; promoção da resistência gastrointestinal à colonização por patógenios; 
diminuição da população de patógenos através da produção de ácidos acético e láctico, de bacteriocinas e de outros compostos anti-microbianos; promoção da digestão da lactose em indivíduos intolerantes à lactose; estimulação do sistema imune; alívio da constipação; aumento da absorção de minerais e produção de vitaminas. 
Embora ainda não comprovados, outros efeitos atribuídos a essas culturas são a diminuição do risco de cancro de cólon e de doença cardiovascular. São sugeridos, também, a diminuição das concentrações plasmáticas de colesterol, efeitos anti-hipertensivos, redução da actividade ulcerativa de Helicobacter pylori, controle da colite induzida por rotavirus e por Clostridium difficile, prevenção de infecções urogenitais, além de efeitos inibitórios sobre a mutagenicidade (Shah, Lankaputhra, 1997; Charteris et al., 1998; Jelen, Lutz, 1998; Klaenhammer, 2001; Kaur, Chopra, Saini, 2002; Tuohy et al., 2003).

O efeito dos probióticos sobre a resposta imune tem sido bastante estudado. Grande parte das evidências de sistemas in vitro e de modelos animais e humanos sugere que os probióticos podem estimular tanto a resposta imune não-específica quanto a específica. Acredita-se, que esses efeitos sejam mediados por uma activação dos macrófagos, por um aumento nos níveis de citocinas, por um aumento da actividade das células destruidoras naturais (NK - "natural killer") e/ou dos níveis de imunoglobulinas. Merece destaque, o facto de que esses efeitos positivos dos probióticos sobre o sistema imunológico ocorrem sem o desencadeamento de uma resposta inflamatória prejudicial. Entretanto, nem todas as cepas de bactérias lácticas são igualmente efectivas. A resposta imune pode ser aumentada, quando um ou mais probióticos são consumidos concomitantemente e actuam sinergeticamente, como parece ser o caso dos Lactobacillus administrados em conjunto com Bifidobacterium (Kopp-Hoolihan, 2001; Calder, Kew, 2002; Van de Water, 2003).

Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas (vol.42 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2006)