Este fim de semana, na revista Visão o título da capa é "Os novos poderes da vitamina D" e num dos sub-títulos menciona que a mesma continua a ser ignorada por grande parte da classe médica.
Obviamente suscitou-me interesse logo de imediato.
Para quem não teve oportunidade de ler, deixo aqui algumas referências bastante conclusivas, não só da importância desta vitamina, mas também da desvalorização por uma grande parte da classe médica. Lamentavelmente não dão o devido valor aos mais variados nutrientes.
Relativamente à importância da vitamina D, o artigo faz várias referência, sendo a primeira a questão do seu papel primordial na absorção do cálcio a nível intestinal e a sua fixação nos ossos; menciona estudos na prevenção ou menor incidência a nível de cancro da próstata e do cólon; no auxilio do tratamento da depressão, pois défice de vitamina D pode exacerbar estados depressivos; na doença de Alzheimer, um baixo nível desta vitamina precipita o aparecimento dos sinais indicadores desta doença; as doenças cardiovasculares ajuda a prevenir ou a reduzir o risco do desenvolvimento das mesmas.
Ressalvo o alerta de um médico e investigador americano Michael Holick, que num artigo de revisão publicado no New England Journal of Medicine, em 2007, fala dos efeitos positivos da vitamina D em doenças como a esclerose múltipla e outras auto-imunes.
Holick fala mesmo de uma "pandemia" com mil milhões de pessoas a apresentarem níveis baixos desta vitamina e que apesar disso, continua a ser desvalorizada também pela classe médica.
Holick defende a exposição direta ao sol, ou seja, sem protetor solar, de 10 a 15 minutos diários na cara, mãos e braços, dizendo mesmo que já seria a solução do problema mais comum da sociedade atual.
Segundo um fisiatra da cidade do Porto, em 500 pessoas testadas, nesta mesma cidade, 80 a 90% tinham carência de vitamina D.
Conclusão: nada como uma bela caminhada ao sol para beneficiarmos da correta conversão do colesterol da pele em precursor da vitamina D. Na insuficiência, podemos igualmente recorrer a alimentos como peixe (salmão, sardinha, atum) ovo, em particular a gema e o óleo de figado de bacalhau, este último com uma riqueza excecional em vitamina A e D.
domingo, 2 de dezembro de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Rinite alérgica
É uma resposta alérgica a substâncias denominadas por alergénios, que afectam as membranas mucosas do nariz, olhos e das vias respiratórias.
Numa exposição inicial ao alergénio dá-se um aumento das Imunoglobulinas E (IgE) que por sua vez se ligam aos receptores existentes nos mastócitos e basófilos. Nas exposições seguintes, o alergénio liga-se directamente à IgE da superfície dos mastócitos, que vão libertar mediadores inflamatórios como a histamina.
Os sintomas incluem prurido e rinorreia, podendo ser acompanhado de líquidos ao nível dos olhos e associado a espirros e irritabilidade nervosa.
Esta é um estado patológico relativamente comum e que ocorre com muita frequência na Primavera, principalmente devido ao pólen das plantas, mas existem outros agentes que podem igualmente provocar esta reacção exagerada do sistema imunitário, como por exemplo: poeiras, fumo de tabaco, pelo de animais, ácaros, etc.
Na terapêutica destas patologias vai ser importante utilizar nutrientes e fitoterápicos, que irão aumentar as resistências orgânicas e terem um efeito anti-inflamatório natural.
De salientar:
- Vitamina C em doses mais altas, pois esta vitamina para além de ser excelente antioxidante, de fortalecer o nosso organismo, ela actua como um anti-histamínico na prevenção e tratamento das reacções alérgicas;
- Bioflavonoides (quercitina, hesperidina, rutina) que para além de potencializarem os efeitos da vitamina C, são igualmente potentes antioxidantes e melhoram a actividade imunológica, sendo que a quercitina estabiliza a membrana que liberta a histamina;
- Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) – Tem uma acção anti-inflamatória principalmente pelo seus constituintes (glicirrizina e à glicerretina) com efeitos mineralcorticóides
- Equinácea (Echinacea angustifolia) – aumenta o sistema imunitário, para além de acção anti-inflamatória e anti-viral. Ideal na prevenção. Contra-indicado essencialmente em doenças auto-imunes.
terça-feira, 13 de março de 2012
Depressão
A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.
A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados. Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. E a realidade portuguesa é bem preocupante, pois um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.
A depressão pode ser episódica, aquando de um acontecimento pontual e isso é normal e sem consequências mais graves, pois naturalmente a pessoa retoma a sua vida e à alegria de viver.
Agora quando a depressão se torna recorrente, chegando a crónica, aí sim, podemos verificar consequências graves a todos os níveis, como emocionais, profissionais e físicos. De salientar, que segundo dados estatísticos, cerca de 20% dos casos, a depressão torna-se crónica e sem remissão, muito devido à falta de tratamento adequado. São vários os factores de risco e como em todas as doenças a prevenção é sempre a melhor abordagem, daí a importância de não descurar o surgimento de alguns sintomas associados a este distúrbio. Os sintomas mais comuns são:
- Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
- Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
- Fadiga, cansaço e perda de energia;
- Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
- Falta ou alterações da concentração;
- Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
- Desinteresse, apatia e tristeza;
- Alterações do desejo sexual;
- Irritabilidade;
- Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo
Em Naturopatia, a abordagem terapêutica é sem dúvida completa, aliando uma reeducação alimentar, ao incentivo de novos hábitos de vida e à suplementação adequada a esta patologia.
Na reeducação alimentar, o objectivo é proporcionar uma dieta saudável e equilibrada, evitando alimentos, que vão provocar alterações metabólicas a vários níveis e ainda no sistema nervoso.
Relativamente ao novos hábitos de vida é essencial, nestes casos, a pessoa procurar motivações, hobbys que lhe dêem prazer, aliados à prática do exercício físico.
Na suplementação podemos recorrer ou à Ortomolecular e/ou à fitoterapia. Obviamente que muitos são os nutrientes essenciais ao bom funcionamento do sistema nervoso e muitas são as plantas com efeito antidepressivo.
Assim, irei apenas focar um suplemento muito usado na Ortomolecular e uma planta muito usada na fitoterapia, mas que a maioria desconhece as contra-indicações e os efeitos secundários da mesma.
Na Ortomolecular saliento o uso do precursor da serotonina, conhecido por 5HTP (5-hidroxitriptofano). A serotonina regula o humor, sono, actividade sexual, apetite, ritmo circadiano, funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, actividade motora e funções cognitivas.
Em Fitoterapia temos uma planta muito conhecida e muito usada – o Hipericão, também conhecida por Erva de S. João (Hypericum perforatum L). Esta planta tem realmente uma acção bastante eficaz, pois podemos dizer que actua em duas vertentes, ou seja, através do seu constituinte hipericina, que inibe a monoaminoxidade e através da hiperforina que é um inibidor inespecífico da recaptação da serotonina, noradrenalina e dopamina, em que o objectivo é aumentar a concentração de serotonina e prolongar o tempo desta na fenda sináptica. Agora o que muitos não sabem é que esta planta interfere a nível de um complexo enzimático (citocromo P450 no fígado) que pode tornar uma série de medicamentos ineficazes, tais como: certos antibióticos, contraceptivos orais, antidepressivos tricíclicos, anti-retrovirais, entre outros). É ainda fotossensibilizante, daí não ser recomendado a exposição solar aquando da toma desta planta.
Fontes:
Olszewer, Efrain – Clinica Ortomolecular, ed. Roca
Cunha, A.Proença; Silva, Alda Pereira; Roque, Odete Rodrigues – Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia, Fundação Calouste Gulbenkian
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
PROBIOTICOS: o que são e seus efeitos no organismo!
A Organização Mundial de Saúde define probióticos como “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro”
A influência benéfica dos probióticos sobre a flora intestinal humana inclui factores como efeitos antagónicos, competição e efeitos imunológicos, resultando em um aumento da resistência contra patogénicos. Assim, a utilização de culturas bacterianas probióticas estimula a multiplicação de bactérias benéficas, em detrimento à proliferação de bactérias potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro (Puupponen-Pimiä et al., 2002).
Actualmente, com o aumento da esperança média de vida, vemo-nos com necessidades acrescidas nomeadamente nutricionais para prevenção e combate à doença. Daí a importância de uma adaptação da nutrição clássica a estes novos desafios. Assim, numa nutrição óptima devemos ter em conta os benefícios dos chamados “alimentos funcionais”, dos quais se destacam também os pré e probióticos.
São considerados alimentos funcionais aqueles que, além de fornecerem a nutrição básica, promovem a saúde. Esses alimentos possuem potencial para promover a saúde através de mecanismos não previstos pela nutrição convencional, devendo ser salientado que esse efeito restringe-se à promoção da saúde e não à cura de doenças (Sanders, 1998).
Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que afectam beneficamente o hospedeiro, por estimularem selectivamente a proliferação ou actividade de populações de bactérias desejáveis no cólon. Adicionalmente, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, garantindo benefícios adicionais à saúde do hospedeiro. Esses componentes actuam mais frequentemente no intestino grosso, embora eles possam ter também algum impacto sobre os microrganismos do intestino delgado (Gibson, Roberfroid, 1995; Roberfroid, 2001; Gilliland, 2001; Mattila-Sandholm et al., 2002).
Os benefícios à saúde do hospedeiro atribuídos à ingestão de culturas probióticas que mais se destacam são: controle da flora intestinal; estabilização da mesma após o uso de antibióticos; promoção da resistência gastrointestinal à colonização por patógenios;
diminuição da população de patógenos através da produção de ácidos acético e láctico, de bacteriocinas e de outros compostos anti-microbianos; promoção da digestão da lactose em indivíduos intolerantes à lactose; estimulação do sistema imune; alívio da constipação; aumento da absorção de minerais e produção de vitaminas.
Embora ainda não comprovados, outros efeitos atribuídos a essas culturas são a diminuição do risco de cancro de cólon e de doença cardiovascular. São sugeridos, também, a diminuição das concentrações plasmáticas de colesterol, efeitos anti-hipertensivos, redução da actividade ulcerativa de Helicobacter pylori, controle da colite induzida por rotavirus e por Clostridium difficile, prevenção de infecções urogenitais, além de efeitos inibitórios sobre a mutagenicidade (Shah, Lankaputhra, 1997; Charteris et al., 1998; Jelen, Lutz, 1998; Klaenhammer, 2001; Kaur, Chopra, Saini, 2002; Tuohy et al., 2003).
O efeito dos probióticos sobre a resposta imune tem sido bastante estudado. Grande parte das evidências de sistemas in vitro e de modelos animais e humanos sugere que os probióticos podem estimular tanto a resposta imune não-específica quanto a específica. Acredita-se, que esses efeitos sejam mediados por uma activação dos macrófagos, por um aumento nos níveis de citocinas, por um aumento da actividade das células destruidoras naturais (NK - "natural killer") e/ou dos níveis de imunoglobulinas. Merece destaque, o facto de que esses efeitos positivos dos probióticos sobre o sistema imunológico ocorrem sem o desencadeamento de uma resposta inflamatória prejudicial. Entretanto, nem todas as cepas de bactérias lácticas são igualmente efectivas. A resposta imune pode ser aumentada, quando um ou mais probióticos são consumidos concomitantemente e actuam sinergeticamente, como parece ser o caso dos Lactobacillus administrados em conjunto com Bifidobacterium (Kopp-Hoolihan, 2001; Calder, Kew, 2002; Van de Water, 2003).
Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas (vol.42 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2006)
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Em caso de obstipação: Qual o tipo de laxante que devo escolher?
Muitos de nós em determinada altura já sentiu necessidade de recorrer a um laxante de forma a regularizar o trânsito intestinal.
A obstipação pode ser ocasional ou crónica e surge essencialmente por más opções alimentares. Actualmente a alimentação é rica em gorduras, hidratos de carbono refinados e muito pobre em fibras e líquidos, onde acresce ainda questões de stress, sedentarismo e abuso excessivo de medicamentos.
Como consequência verifica-se cada vez mais o uso e “abuso” de laxantes. Mas o grande problema reside no tipo de laxante que as pessoas utilizam, que por desconhecimento pessoal ou má informação de quem aconselha, recorrem a substâncias, ainda que digam ser naturais, que são extremamente danosas à mucosa do intestino grosso, podendo provocar a médio, longo prazo ulceração intestinal, para além que são substâncias que provocam habituação, logo a partir de determinada altura deixam de fazer o devido efeito.
A obstipação pode ser ocasional ou crónica e surge essencialmente por más opções alimentares. Actualmente a alimentação é rica em gorduras, hidratos de carbono refinados e muito pobre em fibras e líquidos, onde acresce ainda questões de stress, sedentarismo e abuso excessivo de medicamentos.
Como consequência verifica-se cada vez mais o uso e “abuso” de laxantes. Mas o grande problema reside no tipo de laxante que as pessoas utilizam, que por desconhecimento pessoal ou má informação de quem aconselha, recorrem a substâncias, ainda que digam ser naturais, que são extremamente danosas à mucosa do intestino grosso, podendo provocar a médio, longo prazo ulceração intestinal, para além que são substâncias que provocam habituação, logo a partir de determinada altura deixam de fazer o devido efeito.
E agora perguntam: Quais as substâncias que devo evitar e quais as que devo procurar?
Então é assim, devem essencialmente evitar as plantas que contenham nos seus constituintes os heterósidos antraquinónicos, pois são estes constituintes que provocam uma acção laxativa ou purgante por acção de irritar a mucosa intestinal, para além que criam habituação originando um cólon sem movimento, ou seja, um cólon catártico (perda de inervação intrínseca, hipotrofia do músculo liso e alterações electrolíticas, nomeadamente a perda de potássio). Plantas a evitar, seja em chã ou suplemento:
Sene (Cassia angustifolia)
Amieiro-negro (Rhamnus frangula)
Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana)
Sumo de Aloé (Aloe barbadensis)
Ruibarbo (Rheum officinale)
Nota: estas plantas apenas são aconselhadas numa situação ocasional.
Em contrapartida devem procurar plantas ou sementes ricas em fibras, gomas e mucilagens. As mucilagens ajudam a aumentar o bolo fecal por reterem a água e estimulam, por via reflexa, o peristaltismo, de uma forma segura e não por irritação como vimos nas plantas a evitar.
Plantas e sementes aconselhadas:
Sementes de linho/linhaça (Linum usitatissimum)
Semente de ispagula (Plantago ovata)
Sementes de psílio (Plantago afra)
Konjac (Amorphophallus konjak)
Guar (Cyamopsis tetragonolobus)
Cuidados a ter: Por serem ricas em fibras e mucilagens podem evitar a absorção nomeadamente de medicamentos. Assim, se estiver a tomar qualquer tipo de medicação não deve ingerir ao mesmo tempo. Deve-se fazer as tomas isoladamente.
Sempre ingeridas com uma boa quantidade de água, para se evitar obstrução intestinal.
Agora relembro, que na maioria dos casos, mesmo havendo a necessidade de recorrer a tais substâncias para ajudar a regular o funcionamento do intestino, o principal é sem dúvida alterar os hábitos de vida, melhorar a alimentação e a ingestão de água, só assim poderemos ir à causa do problema.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Manter o Fígado saudável e assim contribuir conscientemente para um estado de saúde
Todos sabemos que o fígado exerce várias funções essenciais ao nosso metabolismo e consequentemente à nossa saúde, ainda assim, não só o não valorizamos o suficiente, como ainda descuidamos e o “mal tratamos” sem pensar nas consequências.
Considero assim relevante lembrar as funções hepáticas e ainda a importância de mantermos este órgão o mais saudável possível.
Destaco assim funções como:
- Desintoxicação de tóxicos químicos, álcool, hormonas, alergenios, imunocomplexos, metabolitos microbianos;
- No metabolismo, a produção de bílis, colesterol, globulinas, albumina, factores de coagulação, factor de tolerância à glicose, glutationa; Induz a conversão de glicose em glicogénio, glicogénio em glicose, aminoácidos em glicose, gorduras em energia, glicose em gordura, gordura em fosfolípidos, betacaroteno em vitamina A e síntese de aminoácidos não essenciais;
- Tem ainda função de armazenamento, nomeadamente: glicogénio, sangue, vitaminas A, D e B12 e ferro.
Como podemos verificar é de extrema importância termos consciência das agressões que cometemos diariamente nos mais diversos abusos (álcool, medicamentos, aditivos e tóxicos nos alimentos, etc…) para que deste modo possamos evitá-los.
A Naturopatia tem igualmente um importante papel no processo de desintoxicação e protecção hepática, pois através da Fitoterapia, ou seja, através do benefício terapêutico de determinadas plantas, como as tão conhecidas alcachofra, cardo mariano, dente-de-leão, curcuma é possível depurar e proteger a célula hepática.
Mas relembro outro conceito importante que é o de não se auto-medicarem, pois o que é natural também tem contra-indicações e efeitos secundários, daí ser fundamental os conselhos de um naturopata especializado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)