quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Qual a dose ideal de Vitamina C?





Todos nós já ouvimos falar muito de vitamina C e seus benefícios, principalmente no Inverno no combate às gripes e constipações, mas será que estamos a tomar a dose certa que efectivamente vai ajudar a combater ou acelerar o processo de cura?

Antes de responder a esta pergunta, vale a pena relembrar algumas das principais funções da vitamina C (Ácido Ascórbico).

Entre elas, destacam-se:
  • Ser antioxidante - muito importante por inactivar o radical livre hidroxila, uma vez que o organismo não contém um sistema antioxidante endógeno próprio para inibi-lo; proteger a vitamina E após esta reduzir um peróxido lipídico.
  • Melhorar o sistema imunitário - forma parte do ascorbato leucocitário que mantém a actividade fagocitária, assim como a actividade e movimentação dos leucócitos (glóbulos brancos) em inibir os agentes estranhos que entram no organismo.
  • Ser um factor importante na síntese e manutenção do colagénio, que é essencial a aproximadamente 90% dos tecidos.
  •  Aumentar a absorção de ferro e assim prevenir anemias.

O organismo não pode fabricar a sua própria vitamina C, daí ter de ser obtida ou através da alimentação ou através da suplementação e hoje sabemos que deficiências nutricionais são um factor de risco para o desenvolvimento de diversas doenças.

Voltando à questão das doses, muitos autores falam que efectivamente a vitamina C tem um potencial enorme, agora não numa dose insuficiente, como é a dose diária recomendada que ronda os 100mg em adultos. As doses baixas, como muitos estudos mostram, não dão resultados clínicos.

As nossas necessidades actuais são enormes, devido à poluição, à má alimentação e aos nossos hábitos de vida, que para termos um efeito curativo têm que ir muito além dessa dose de 100mg. 

Em Ortomolecular fala-se de doses substancialmente mais altas, aliás segundo alguns autores, estes dizem que para encontrarmos a nossa dose certa (em termos curativos)  temos de ir tomando ao longo do dia 1 a 3.000 mg, sempre com uma boa percentagem de água, até termos a nossa tolerância intestinal, ou seja, assim que tínhamos sintomas de uma ligeira diarreia ou desconforto, encontramos a nossa dose curativa que no momento estamos a precisar.

Hoje em dia, a meu ver, 1.000mg é uma boa dose preventiva para adulto. Mas se estivermos perante uma gripe que seja, as doses iniciais podem ir mais além de uma forma segura – 6.000mg, 9.000mg ou até mais dependendo das necessidades de cada um em particular. Obviamente depois da fase aguda, baixamos novamente para a dose preventiva.

O importante é, sem dúvida, irmos suplementando de forma preventiva, pois cada vez mais se constata que a vitamina C através da alimentação é muito insuficiente face às nossas necessidades. Destaco principalmente aqueles grupos de pessoas com algum risco - fumadores/patologias crónicas, pois está mais que comprovado a deficiência desta vitamina nestes grupos de pessoas.

Boas escolhas!


Fontes:
Olszewer Efrain, Clinica Ortomolecular (2ª Edição), Roca 2008.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Clorela - uma super microalga


O uso das algas pelos povos costeiros remonta à Antiguidade. Foi no extremo Oriente que mais cedo e com maior intensidade se popularizou o seu uso enquanto alimento. Desde há 4000 anos que os documentos antigos chineses enaltecem as virtudes das algas para uma boa saúde e qualidade de vida. (Sáa; 2003)

As algas são consideradas um alimento funcional, não só pela sua riqueza nutricional, pelo significativo conteúdo em: proteínas, lípidos, minerais e vitaminas, mas também pelas suas substâncias ativas, tais como os polissacarídeos e os polifenóis, que apresentam um interessante potencial medicinal contra: o Cancro, Stress oxidativo, inflamação, alergia, Diabetes, Obesidade, Hipertensão e outras doenças degenerativas que nos afetam cada vez mais nos dias de hoje (Farideh N., et al.,2013; Kari S., et al. 2013).

A Clorela (Chlorella elipsoides Gerneck) da classe das Clorofíceas (alga verde) é uma microalga originária das águas frias das zonas costeiras do Leste da Ásia (Japão e sul da China), e que é nos dias de hoje cultivada, sobretudo, no Japão. Quanto à sua constituição é de salientar sobretudo a existência de: clorofila, vitamina C, vitaminas do complexo B, minerais - como o fósforo, magnésio, ferro, cálcio, cobre, zinco e ainda, vestígios de cobalto. Contêm uma quantidade admirável: de proteínas (cerca de 60%), glúcidos (20%) ácidos gordos e mucilagens (polissacarídeos). (Cunha, et al. 2006)

A Clorela (Chlorella vulgaris) é uma alga extremamente rica em luteína, um carotenoide com ação antioxidante e muito associado à prevenção e ao tratamento das cataratas (Sulich A., et al., 2015) e da Degeneração Macular em adultos com idade avançada, sendo a causa de sérios problemas de visão. Existem já provas substanciais da sua importância e eficácia na prevenção do desenvolvimento da Degeneração Macular resultante do dano oxidativo (Yang-Mu H., et al., 2015; Hobbs RP., et al.,2014).

Em estudos recentes, a administração de Clorela (Chlorella vulgaris) provou ter uma atividade antioxidante (Panahi Y., et al., 2013), anti-inflamatória (Sibi G.,2015), anti-hipertensiva, imunomoduladora e antidiabética (Taiki M., et al., 2013).

Atualmente uma outra aplicação terapêutica das algas é empregue no combate ao excesso de peso devido ao seu alto conteúdo em proteínas e mucilagens, pois induz a sensação de repleção gástrica, reduzindo assim o apetite. As suas mucilagens apresentam um efeito emoliente, protetor das mucosas, e ainda, laxante, sendo que a fração polissacarídea demonstra uma atividade estimulante do Sistema Imunitário, atividade anti-tumoral e antiviral. (Cunha et al., 2006)

Não nos podemos esquecer que a riqueza desta alga em clorofila torna-a num alimento altamente desintoxicante do organismo.

Assim, podemos concluir que a clorela tem um potencial enorme quer na prevenção quer no tratamento de diversas patologias e que, sem dúvida, vale a pena inclui-la no nosso dia-a-dia.

Boas escolhas!

Fonte:
Silva, A. Sofia; “A Importância das Algas-Marinhas na saúde do Séc. XXI – Suplementação e Alimentação”, 4ªEdição; Scientific Journal of Natural Medicine (SJNM); pp. 05-18 (Junho 2015)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quinoa



Hoje vamos conhecer melhor um alimento muito interessante - a Quinoa.


Para quem ainda não conhece, a quinoa é uma semente com origem na região andina do Peru, Bolívia, Equador e Colômbia. 
Foi domesticada para consumo humano há cerca de 3.000 a 4.000 anos atrás.

Actualmente é considerada por muitos um alimento de ouro, tal a sua riqueza nutricional. Segundo a Organização da Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, a quinoa é um dos alimentos mais ricos que existe.

Na sua composição, podemos destacar
  • O seu elevado teor em proteína (15g de proteína em 100g) contendo todos os aminoácidos essenciais
  • Minerais, nomeadamente: o ferro, cálcio e zinco
  • Vitaminas do complexo B, vitamina C e E
  • Ómega 3 e 6
  • Fibras


Ter atenção:
Apesar de todos os benefícios anteriormente descritos, é importante lembrar que a quinoa à semelhança de algumas leguminosas, sementes e cereais contém anti-nutrientes, como o ácido fítico, que pode impedir a absorção de alguns nutrientes como o cálcio, ferro e zinco e ainda saponinas, que actuam como pesticida natural para as plantas, que no homem pode provocar alguma irritação intestinal. 
Para podermos minimizar ao máximo estes efeitos, devemos demolhar previamente e lavar bem antes de cozinhar.

Sugestão:
A quinoa é muito versátil, podemos cozinhá-la e consumir quente como um acompanhamento (em substituição do arroz, da massa ou da batata) ou fria em salada, enriquecendo-a assim nutricionalmente e até levar como opção para o trabalho.

Como cozinhar a quinoa?

É muito fácil, aliás podemos fazer tal como fazemos o arroz. Há quem a cozinhe apenas em água e sal, contudo pessoalmente considero que pode ficar mais atractiva ao ser cozida em água, um pouco de azeite, alho ou cebola. Podemos sempre acrescentar ervas aromáticas, como por exemplo os coentros ou então cozinhá-la já com algum vegetal a gosto.
Espero que gostem!



sábado, 16 de novembro de 2019

Conhecer verdadeiramente o que estás a usar todos os dias


É um facto que todos nós utilizamos produtos de higiene e cosmética, seja para a limpeza (ex: leite de limpeza facial, gel de banho, shampoo) seja para a hidratação e, claro, não esquecendo os produtos para maquilhagem.

Agora pergunto: será que todos nós conhecemos verdadeiramente estes produtos? 
Que implicações podem ter a médio, longo prazo na nossa saúde?
Com certeza a maioria não conhece e muitas vezes nem sequer está desperto para esta temática.

Não nos podemos esquecer que a pele é o nosso maior órgão e absorve tudo que aplicamos. Daí a importância da qualidade daquilo que usamos, não só para evitarmos o surgimento ou agravamento de problemas de pele (irritações, dermatites, eczemas, etc) mas também desordens internas, como por exemplo: alterações hormonais, que são as mais usuais. 

Então, para que todos possam fazer escolhas mais conscientes para a família, segue abaixo os principais ingredientes a evitar nos cosméticos e produtos de higiene:

1. Parabenos (Ethylparaben, Methylparaben, Butylparaben)
Estes são utilizados como conservantes e podemos encontrá-los em vários produtos (maquilhagem, desodorizantes, hidratantes, produtos para cabelo, vernizes, etc). 
Existem estudos que indicam que estas substâncias podem provocar alergias ou envelhecimento da pele e, pior ainda, que podem ser substâncias cancerígenas e desreguladores hormonais.

2. Sodium Lauril Sulphate (SLS), Sodium Laureth Sulphate (SLES), Ammonium Laurel Sulphate (ALS)
São compostos químicos usados como detergente e que permite criar espuma quando entra em contacto com água. Podemos encontrar em produtos como: shampoo, pasta dos dentes e gel de banho. Estudos indicam que podem provocar irritações na pele, desregulações hormonais e uma vez mais, estes também têm propriedades cancerígenas.

3. Óleo mineral, parafina e petrolato
Usados principalmente para hidratação em cremes, óleos corporais e maquilhagem. Podem igualmente provocar irritações na pele e interferir com a normal actividade hormonal.

4. Propilenoglicol 
Utilizado na indústria como hidratante, emoliente, controlador da viscosidade em vários cosméticos e está associado a várias reacções dermatológicas e ainda a problemas renais e hepáticos.

5. Alumínio
Este já todos sabemos que é utilizado como antitranspirante e muito se fala da possível toxicidade a nível de sistema nervoso central e cancros, nomeadamente da mama.

E existem muitos mais, apenas estou a mencionar alguns que realmente encontramos em quase todos os produtos no mercado.

E agora perguntam: o que usar?
Pois bem, actualmente temos um mercado crescente de produtos de higiene e cosmética natural e biológica. Mercado este cada vez mais competitivo, o que é muito bom, pois torna estes produtos muito mais acessíveis do que há uns anos atrás.

Menos é mais, ou seja, quanto menos ingredientes melhor. Pode não ter a mesma durabilidade, mas com certeza não provocam as reacções adversas que os ditos "normais", principalmente quando estamos a falar em crianças.

Vale mesmo a pena perder um pouco do nosso tempo e fazer uma pequena pesquisa inicial e apostar em produtos de qualidade para toda a família.

E se tiverem dúvidas, também estou aqui para ajudar :)
Boas escolhas!



Fontes:
Paraben esters: review of recent studies of endocrine toxicity, absorption, esterase and human exposure, and discussion of potential human health risks.
Sodium Lauryl Sulphate for Irritant Patch Testing- A Dose-Response Study Using Bioengineering Methods for Determination of Skin Irritation
Deadly and Dangerous Shampoos, Toothpastes, and Detergents: Could 16,000 Studies Be Wrong About SLS?
https://www.serdanatureza.com/perigos-cosmetica-industrial.php