quarta-feira, 21 de março de 2012

Rinite alérgica


É uma resposta alérgica a substâncias denominadas por alergénios, que afectam as membranas mucosas do nariz, olhos e das vias respiratórias.
Numa exposição inicial ao alergénio dá-se um aumento das Imunoglobulinas E (IgE) que por sua vez se ligam aos receptores existentes nos mastócitos e basófilos. Nas exposições seguintes, o alergénio liga-se directamente à IgE da superfície dos mastócitos, que vão libertar mediadores inflamatórios como a histamina.

Os sintomas incluem prurido e rinorreia, podendo ser acompanhado de líquidos ao nível dos olhos e associado a espirros e irritabilidade nervosa.
Esta é um estado patológico relativamente comum e que ocorre com muita frequência na Primavera, principalmente devido ao pólen das plantas, mas existem outros agentes que podem igualmente provocar esta reacção exagerada do sistema imunitário, como por exemplo: poeiras, fumo de tabaco, pelo de animais, ácaros, etc.

Na terapêutica destas patologias vai ser importante utilizar nutrientes e fitoterápicos, que irão aumentar as resistências orgânicas e terem um efeito anti-inflamatório natural.
De salientar:
  • Vitamina C em doses mais altas, pois esta vitamina para além de ser excelente antioxidante, de fortalecer o nosso organismo, ela actua como um anti-histamínico na prevenção e tratamento das reacções alérgicas;
  • Bioflavonoides (quercitina, hesperidina, rutina) que para além de potencializarem os efeitos da vitamina C, são igualmente potentes antioxidantes e melhoram a actividade imunológica, sendo que a quercitina estabiliza a membrana que liberta a histamina;
  • Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) – Tem uma acção anti-inflamatória principalmente pelo seus constituintes (glicirrizina e à glicerretina) com efeitos mineralcorticóides
  • Equinácea (Echinacea angustifolia) – aumenta o sistema imunitário, para além de acção anti-inflamatória e anti-viral. Ideal na prevenção. Contra-indicado essencialmente em doenças auto-imunes.

terça-feira, 13 de março de 2012

Depressão


A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.
A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados. Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. E a realidade portuguesa é bem preocupante, pois um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.
A depressão pode ser episódica, aquando de um acontecimento pontual e isso é normal e sem consequências mais graves, pois naturalmente a pessoa retoma a sua vida e à alegria de viver.
Agora quando a depressão se torna recorrente, chegando a crónica, aí sim, podemos verificar consequências graves a todos os níveis, como emocionais, profissionais e físicos. De salientar, que segundo dados estatísticos, cerca de 20% dos casos, a depressão torna-se crónica e sem remissão, muito devido à falta de tratamento adequado. São vários os factores de risco e como em todas as doenças a prevenção é sempre a melhor abordagem, daí a importância de não descurar o surgimento de alguns sintomas associados a este distúrbio. Os sintomas mais comuns são:
  • Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
  • Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
  • Fadiga, cansaço e perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
  • Falta ou alterações da concentração;
  • Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
  • Desinteresse, apatia e tristeza;
  • Alterações do desejo sexual;
  • Irritabilidade;
  • Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo

Em Naturopatia, a abordagem terapêutica é sem dúvida completa, aliando uma reeducação alimentar, ao incentivo de novos hábitos de vida e à suplementação adequada a esta patologia.
Na reeducação alimentar, o objectivo é proporcionar uma dieta saudável e equilibrada, evitando alimentos, que vão provocar alterações metabólicas a vários níveis e ainda no sistema nervoso.
Relativamente ao novos hábitos de vida é essencial, nestes casos, a pessoa procurar motivações, hobbys que lhe dêem prazer, aliados à prática do exercício físico.
Na suplementação podemos recorrer ou à Ortomolecular e/ou à fitoterapia. Obviamente que muitos são os nutrientes essenciais ao bom funcionamento do sistema nervoso e muitas são as plantas com efeito antidepressivo.
Assim, irei apenas focar um suplemento muito usado na Ortomolecular e uma planta muito usada na fitoterapia, mas que a maioria desconhece as contra-indicações e os efeitos secundários da mesma.

Na Ortomolecular saliento o uso do precursor da serotonina, conhecido por 5HTP (5-hidroxitriptofano). A serotonina regula o humor, sono, actividade sexual, apetite, ritmo circadiano, funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, actividade motora e funções cognitivas.

Em Fitoterapia temos uma planta muito conhecida e muito usada – o Hipericão, também conhecida por Erva de S. João (Hypericum perforatum L). Esta planta tem realmente uma acção bastante eficaz, pois podemos dizer que actua em duas vertentes, ou seja, através do seu constituinte hipericina, que inibe a monoaminoxidade e através da hiperforina que é um inibidor inespecífico da recaptação da serotonina, noradrenalina e dopamina, em que o objectivo é aumentar a concentração de serotonina e prolongar o tempo desta na fenda sináptica. Agora o que muitos não sabem é que esta planta interfere a nível de um complexo enzimático (citocromo P450 no fígado) que pode tornar uma série de medicamentos ineficazes, tais como: certos antibióticos, contraceptivos orais, antidepressivos tricíclicos, anti-retrovirais, entre outros). É ainda fotossensibilizante, daí não ser recomendado a exposição solar aquando da toma desta planta.


Fontes:
Olszewer, Efrain – Clinica Ortomolecular, ed. Roca
Cunha, A.Proença; Silva, Alda Pereira; Roque, Odete Rodrigues – Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia, Fundação Calouste Gulbenkian